domingo, 7 de setembro de 2008

MALHARIA

Tecnologia da


Malharia






iMALHARIA

1- INTRODUÇÃO


Dentro do área têxtil estudada, temos um setor com o nome de MALHARIA. Este setor é responsável por transformar o fio, proveniente da fiação, em tecido de malha. 0 artigo de malha possui propriedades elásticas importantes, as quais são responsáveis por grande parte da aceitação do consumidor pela roupa de malha, principalmente para artigos que ficam junto à pele, como: meias, roupas íntimas, pijamas, calções, artigos esportivos (agasalhos, uniformes), moda praia,... Atualmente, o setor de Malharia atende aos mais diversos setores de produtos têxteis podendo ter sua aplicação voltada também para fins de decoração e domésticos, tais como: toalhas de mesa, cortinas, colchas, rendas, e ainda para aplicação agro-industrial, destacando-se: estofados automotivos, sacos para embalagem na indústria alimentícia (sacos de cebolas, batatas), forrações, telas de proteção, redes, ... estando cada vez mais presente no nosso cotidiano.
2- BREVE HISTÓRICO SOBRE A MALHARIA:

Antes de conceituarmos o setor de malharia, podemos falar um pouco sobre a história desse tecido. Não se pode precisar a época de seu aparecimento, mas nas tumbas do Alto Egito foram encontrados um xale e um “boné” de malha de 2550 anos de idade, e no museu de Louvre (Paris) estão expostos alguns “calções” de 1000 A.C., aproximadamente, provenientes das primeiras escavações de Champollion no Egito.

É importante ressaltar que, até o século XVI, toda produção de tecidos de malha era feita manualmente: gorros, xales, cachecóis, casquetes, calções,..., que foi quando surgiu o primeiro modelo de máquina de tricotar que se tem notícia, idealizado por Willian Lee, um pastor protestante que tentava auxiliar sua esposa na produção de tecidos. A partir de então a produção manual foi sendo substituída e, na França, na metade do século XVII, era quase totalmente mecânica. No final deste século (XVII) foram introduzidas algumas máquinas na Alemanha e na Espanha, começando a expandir o uso das máquinas e dos tecidos de Malharia.

Até 1914, o tecido de malha reduzia sua aplicação às prendas de uso interior e como abrigo para épocas frias. Atualmente sua utilização vem sendo expandida nos mais diversos segmentos têxteis.

3- CONCEITOS BÁSICOS EM MALHARIA

O tecido de malha tem sua estrutura formada pelo entrelaçamento de um ou mais fios onde, cada laçada que se forma passa dentro da laçada formada anteriormente, sem que haja um ponto fixo de ligação entre elas, diferentemente do tecido plano, onde o fio de urdume e o fio de trama se entrelaçam num ângulo de 90º fazendo uma amarração mais rígida.

Dentro do setor de produção de malharia, temos alguns termos que são básicos para o cotidiano de quem trabalha com tecido de malha, a saber:

Carreira de malhas: refere-se a uma série de laçadas distribuídas horizontalmente no tecido ao longo de toda sua largura. Todas as laçadas (malhas) de uma carreira são formadas pelo mesmo fio.
Coluna de malhas: refere-se a uma série de laçadas distribuídas verticalmente no tecido, ao longo de todo seu comprimento. Todas as malhas de uma mesma coluna são formadas numa mesma agulha.

Agulha – responsável pela formação do tecido. Existem vários tipos de agulhas para atender aos vários teares existentes. Essas agulhas diferem das usadas na costura, tanto no aspecto, como na qualidade do aço do qual são feitas.

Agulha de Lingüeta – este tipo de agulha, o mais utilizado em máquinas da malharia, tem no corpo uma lingüeta que se abre e fecha sobre a cabeça da agulha, e um "pé" sobre o qual agirão excêntricos (pedras) que provocarão os movimentos necessários à formação da malha.
1- pé (top)
2- corpo
3- ranhura
4- lingüeta
5- colher
6- cabeça (gancho)
7- eixo
Finura de Máquina – se refere à quantidade de agulhas existentes no espaço de uma polegada. Quanto maior o número de agulhas por polegada, mais fino será o tecido, pois as malhas ficam mais juntas umas das outras, e vice versa
finura 5 finura 12
Frontura – frente de tecimento; local onde as agulhas são colocadas para trabalho, que pode ter formato retilíneo ou circular. As máquinas de malharia podem ter uma frontura (monofrontura) ou duas fronturas (duplafrontura). Isso influenciará no tecido a ser produzido: tecido em meia malha ou em malha dupla.









Ligamento – entrelaçamento das malhas de uma maneira determinada que irá repetir-se por toda a extensão do tecido.

Raporte – menor repetição da estrutura do tecido.

Diagrama – é a representação gráfica da evolução dos fios nas agulhas, durante o processo de tecimento.

3.8.1- Simbologia

4 - TIPOS DE TECIDOS

Dentro do setor de malharia, podemos produzir, basicamente, dois tipos de tecidos: a meia malha e a malha dupla. A partir desses dois artigos, e de acordo com os recursos existentes na máquina a ser utilizada, fazemos todas as outras estruturas conhecidas, pois todas deverão seguir essa divisão.

Tecido jersey simples ou meia malha - É toda estrutura obtida em uma única frontura, isto é, quando a fazemos usando somente uma frente de agulhas. Tecimento em monofrontura. Tem como característica a instabilidade (o tecido enrola-se) e apresentar de um lado malha direita e do outro malha esquerda.

MALHA DIREITA MALHA ESQUERDA

Tecido jersey duplo ou malha dupla - É toda estrutura onde em pelo menos uma das formações de malha, as agulhas das duas fronturas trabalhem simultaneamente. Tecimento em dupla frontura. Tem como característica maior estabilidade e possuir malha direita dos dois lados do tecido.

5- PROCESSO DE FORMAÇÃO DA MALHA

Podemos, em seis fases, mostrar o processo normal de formação de malha.
Uma malha acaba de ser formada. Agulha em posição de descanso.


A agulha avança fazendo com que a malha passe para o corpo da agulha.


A agulha encontra-se no máximo de seu avanço

A agulha inicia seu recuo. Um novo fio é colocado dentro de sua cabeça.

A agulha continua seu recuo, puxando o fio alimentado, enquanto sua cabeça é fechada.

A agulha recua ao seu ponto máximo, levando o novo fio a passar por dentro da malha anterior, formando uma laçada sobre a mesma. Está formada uma nova malha.
Malha sobre várias agulhas: no processo descrito anteriormente, mostrou-se a formação de malha sobre uma única agulha, formando assim uma coluna de malha. Se alimentarmos com fio uma série de “n” agulhas paralelas, formaremos uma carreira de “n” malhas. Nesse caso formaremos “n” colunas de malhas.

6- FIOS PARA MALHARIA

O fio para Malharia necessita de algumas características diferentes em relação ao fio utilizado em Tecelagem de tecido plano, devido às necessidades inerentes ao processo de formação da malha, conforme abaixo;

6.1- Uniformidade Ô Caraterística obrigatória do fio, que deve ter sua espessura (“diâmetro”) o mais uniforme possível, pois uma irregularidade no mesmo será mais fácil de ser visualizada no tecido de malha, devido à forma de entrelaçamento na produção do tecido. No tecido plano, a posição paralela dos fios tende a balancear estas variações, dando uma aparência mais uniforme.

6.2- Flexibilidade Ô Característica obrigatória do fio, permitindo ao mesmo acompanhar o movimento realizado pela agulha durante a formação da malha. Um fio rígido resiste à formação da malha, dificultando o processo.

6.3- Elasticidade Ô Não é uma característica obrigatória do fio, mas influenciará no resultado final, deixando o tecido mais compacto e mais elástico. A malha, por sua construção, já tem uma certa elasticidade, porém, ao utilizar um fio elastomérico, aumentaremos essa sua característica.

7- CARACTERÍSTICAS DO TECIDO DE MALHA

Os tecidos de malha diferenciam-se dos tecidos de cala (ou plano), onde a trama e o urdume cruzam-se formando uma armação rígida que resulta em produto final resistente. A malha, ao contrário, é feita com um só fio que corre em forma espiral horizontalmente (malharia de trama) ou de vários fios longitudinais, um por agulha (malharia de urdume). Em ambos os casos o fio assume a forma de laçadas, sendo que cada laçada passa por dentro da anterior sem que exista algum ponto de ligamento fixo entre elas, o que permite ter as seguintes características:
7.1- Flexibilidade: as malhas assumem um aspecto onde sustentam-se entre si e são livres para mover-se quando submetidos a alguma tensão, podendo então moldar-se às formas do corpo humano;

7.2- Elasticidade: as laçadas podem escorregar umas sobre as outras, quando sob tensão, e retornar à posição inicial quando cessada a mesma.

7.3- Porosidade: proporciona um maior conforto fisiológico, permitindo a troca de calor com o ambiente. Devido aos espaços entre os pontos, no calor, absorve o suor e facilita a transpiração e, no frio, esta porosidade forma um “colchão de ar” dentro do tecido, que atua como isolante térmico, fazendo com que o corpo não perca calor;

7.4- Estabilidade Dimensional: Entende-se como sendo as dimensões de um determinado artigo que, uma vez atingidas, não serão mais modificadas. 0 fio durante o processo de formação do tecido, é submetido à tensões que lhe provocam um estiramento. Quando retiradas, tende a sofrer uma retração, a qual é maior na presença de fatores como água, calor e movimento, os quais promovem alterações na estrutura das fibras, produzindo uma redução no comprimento do fio e um aumento no seu volume. Esse efeito é o encolhimento que ocorre na malha.

7.5- Vantagens / desvantagens do tecido de malha

O tecido de malha, em comparação com o tecido plano, tem características que lhe são peculiares, tanto na sua construção como na sua utilização. Se compararmos os dois, teremos o seguinte:

7.5.1- Vantagens do tecido de malha

a- Elasticidade e Flexibilidade – por sua construção, adapta-se aos movimentos do corpo (meias, roupas de banho, artigos esportivos, roupas íntimas, etc);
b- Variedade de produtos – pode-se obter facilmente tecidos de características bem diferentes, muitas vezes com pequenas alterações.

7.5.2- Desvantagens do tecido de malha

a- Deformação – A flexibilidade, característica essencial da malha, pode ocasionar, quando mal controlada, encolhimentos ou alargamentos do tecido.
b- Enrolamento – Alguns tecidos, devido a sua construção, apresentam uma tendência a enrolar-se nas bordas. Tal propriedade só é possível de ser corrigida recorrendo-se à técnicas como a termofixação.


8- PROCESSOS DE TECIMENTO

O tecido de malha pode ser produzido através de dois processos distintos: Processo Trama e Processo Urdume.

A diferença fundamental entre os dois princípios se deve ao fato que na malharia pelo Processo Trama as malhas se processam no sentido da largura do tecido (um fio alimenta todas as agulhas em trabalho). No Processo Urdume as malhas são formadas no sentido do comprimento do tecido (cada agulha é alimentada por um fio diferente).

8.1- Processo Trama – tecido de malha onde o fio é entregue no sentido horizontal de tecimento, ou seja, as malhas são produzidas no sentido da largura do tecido. É um tecido que possui as seguintes características:

- os artigos são sempre desmalháveis, isto é uma vez produzidos (tricotados), podem ser destricotados
- todas as agulhas são alimentadas por mesmo fio ou grupo de fios.
- a largura é determinada pelo número de agulhas em trabalho (máquinas retilíneas) ou pelo diâmetro da máquina (máquinas circulares).
- As malhas são formadas sucessivamente; malhas vizinhas são portanto, formadas pelo mesmo fio ou grupo de fios
- os artigos possuem pouca estabilidade dimensional, se deformando com relativa facilidade.

Dentro desse processo, temos dois tipos de máquinas: os teares retilíneos e os teares circulares.

8.1.1- Máquinas Retilíneas – os tecidos produzidos em retilíneas estavam com a sua imagem muito voltada para o inverno (blusas, cachecóis, gorros,...), utilizando quase que somente fios de lã. Atualmente essa visão modificou-se totalmente e seus tecidos atendem a outros segmentos da moda, como, por exemplo, blusas de linha, saias, camisetas,..., sempre voltados para o setor do vestuário. Embora possa utilizar-se de qualquer tipo de fio para produção, existe a predominância de fios de Acrílico ou misturas com Acrílico. Para a produção de artigos diferenciados, temos as seguintes finuras de máquinas retilíneas: 1, 2, 3, 5, 7, 8, 10, 12, 14 e 16, sendo que cada finura de máquina (além dos recursos nela encontrados) dará características diferenciadas ao tecido produzido. As Máquinas Retilíneas podem ser divididas em:








Simples



Manuais







Motorizada





Simples


Retilíneas

Automáticas







Jacquard

Simples



Simples



Eletrônicas



c/ Transferência



Jacquard


8.1.2- Máquinas Circulares – máquinas de alta produção e com enorme diversidade nos artigos produzidos, devido aos vários modelos de teares existentes, trabalha com grande variedade de fios, segundo o artigo desejado. Seu produto atende aos mais variados setores, desde vestuário (camisetas, moletons, lingeries, calções, biquinis, camisetas piquê, saias,...), passando por cama, mesa e banho (toalhas, cortinas, lençóis), até tecidos agro-industriais (forros, sacaria, estofamentos,...). Para atender à essa diversificação, temos as seguintes finuras de máquinas circulares: 4, 5, 6, 7, 8,10, 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, 26, 28, 30, 32, 36, 38 e 40, sendo que cada finura de máquina (além dos recursos nela encontrados) dará características diferencias ao tecido produzido. As Máquinas Circulares podem ser divididas em:

- Pequeno Diâmetro Õ produz tecidos voltados para: meias, faixas, cadarços,... Seu diâmetro vai de 1 até 9 polegadas (1, 2, 2 ¼, 2 ½”, 2 ¾”, 3, 3 ¼”, 3 ½”, 3 ¾”, 4, 4 ¼”, 4 ½”, 4 ¾”, 5, 6, 7, 8, 9)

- Médio Diâmetro Õ produz tecidos que serão confeccionados sem a costura lateral. Seu diâmetro vai de 10 até 20 polegadas (10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 18, 20);

- Grande Diâmetro Õ possui uma grande diversificação de produtos. Seu diâmetro vai acima de 22 polegadas (22, 24, 26, 28, 30, 32, 34, 36, 38, 42, 46 e 60)

Dentro da divisão acima podemos ainda dividir as Máquinas Circulares em:

- Mono Cilindro – possui somente um cilindro onde as agulhas trabalham na vertical (tecimento em monofrontura); tecido em meia malha.

- Cilindro e Disco – possui um cilindro, onde as agulhas trabalham na vertical, e um disco fechando-o, onde as agulhas trabalham na horizontal (tecimento em duplafrontura); tecidos em malha dupla.

- Duplo Cilindro – possui dois cilindros sobrepostos, onde as agulhas trabalham na vertical, podendo transferir-se do cilindro inferior para o superior, ou vice-versa; tecidos em malha simples ou dupla.

8.1.3- Concepção do mecanismo para a formação de malhas – Analisando o processo de formação de malhas descrito anteriormente, podemos notar que, para fabricar um tecido de malha, necessitamos de:

· um certo número de agulhas consecutivas, paralelas, dirigidas num mesmo sentido e num mesmo plano;
· um sistema que imprima às agulhas seu movimento de avanço e retrocesso;
· um dispositivo para fornecer fio às agulhas.

8.1.3.1- Comando de movimento das agulhas - Como já foi visto, para que possamos formar uma malha é necessário que as agulhas tenham dois movimento: avanço e retrocesso ou, de modo geral, subida e descida. Tais movimentos são conseguidos através de excêntricos (pedras) que atuam diretamente nos pés das agulhas, os quais passam por eles, realizando assim o movimento de subida e descida. As pedras e sua atuação sobre as agulhas podem ser representadas como mostra a figura abaixo:


8.1.3.2- Esquema de formação de malha em máquinas dupla frontura
a b c
d e f
a) nesta posição as agulhas do disco e cilindro se encontram em repouso;
b) as agulhas, acionadas pelos excêntricos de subida, começam a avançar. As do cilindro no sentido vertical e as do disco no sentido horizontal. As malhas que se encontravam no gancho das agulhas passam para seu corpo;
c) as agulhas se encontram no máximo de avanço, com as malhas em seu corpo;
d) as agulhas sendo recuadas pelos excêntricos de ponto recebem um novo fio do alimentador. As malhas antigas ainda se encontram no corpo das agulhas.
e) ainda sofrendo a ação dos excêntricos de ponto, as agulhas continuam a recuar, e as malhas que se encontram nos corpos das agulhas, iniciam o fechamento de suas respectivas lingüetas.
f) nesta fase as agulhas voltam a sua posição original de repouso formando uma nova malha.

8.1.3.3- Fases de formação de malha em máquinas monofrontura (Circular)

Para a formação de malhas em máquinas circulares monocilindricas, estas apresentam um novo elemento formador de malha chamado platina. As mesmas são alojadas em um componente denominado anel (ou aro) de platinas. Possui movimento de avanço e retorno proporcionado por excêntricos. A função básica das platinas, é de reter o tecido quando da subida das agulhas para que o tecido são suba com elas.
a b c
d e f

a) a agulha se encontra na posição de repouso. As platinas, acionadas pelo seu excêntrico (anel de platinas) iniciam o avanço.
b) a agulha inicia seu movimento de subida, quando as platinas já estão totalmente avançadas exercendo a função de reter o tecido, evitando que o mesmo suba junto com a agulha.
c) a agulha se encontra na fase de formação de malha e as platinas continuam totalmente avançadas.
d) a agulha, acionada pelo excêntrico de ponto, começa a descer para que possa recolher um novo fio, enquanto as platinas, acionadas pelo seu respectivo excêntrico, iniciam seu movimento de recuo.
e) a agulha, ainda acionada pelo excêntrico de ponto, continua descendo. A malha que estava no corpo da agulha começa a movimentar e a fechar a lingüeta, ao mesmo tempo que o novo fio é recolhido e retido no gancho da agulha. As platinas, acionadas pelo seu excêntrico, se encontram na posição máxima de recuo.
f) nesta última posição a malha já foi formada e a platina volta à sua posição inicial.

8.1.4- Regulagem do ponto - Chamamos de ponto, a altura ou tamanho da malha formada, a qual depende da profundidade até onde a agulha desce, caracterizando a compacticidade do tecido. Se as malhas são grandes, o tricot será mais aberto; se elas são pequenas, mais fechado. A regulagem do ponto é obtida de acordo com a posição dos excêntricos de descida. Com o excêntrico mais alto, a agulha descerá menos, consumirá menos fio e formará uma malha de menor tamanho. Com o excêntrico mais baixo, a agulha descerá mais, consumirá mais fio e formará uma malha maior.

8.1.4.1- Tabela de Densidade do Tecido

Malha maior
Característica
Malha menor

Gramatura (g/m²)


Densidade (malhas/cm)


Produção m/h (metros por hora)


Produção kg/h (quilos por hora)


Consumo de fio/h (fio por hora)


Rentabilidade (m tecido/kg de fio)


Estabilidade dimensional

Custo $

8.2- Processo Urdume – Tecido de malha onde o fio é entregue no sentido vertical de tecimento, ou seja, as malhas são produzidas no sentido do comprimento do tecido. É um tecido que possui as seguintes características:

- os artigos são, em sua maioria, indesmalháveis, isto é, uma vez produzidos (tricotados), não podem ser destricotados;
- cada agulha é alimentada por um ou mais fios (alimentação individual);
- a largura é determinada pelo número de agulhas ou número de fios em trabalho;
- as malhas são formadas simultaneamente; malhas vizinhas são, portanto, formadas por fios diferentes;
- os artigos possuem boa estabilidade dimensional, não se deformando facilmente quando comparados aos tecidos do processo trama.

Dentro desse processo temos, além de Urdideiras utilizadas para o processo de preparação, dois tipos de máquinas: os teares Kettenstuhl e os teares Raschel.

8.2.1- Urdideiras – são consideradas máquinas de preparação ao tecimento, pois têm a finalidade de mudar a forma de acondicionamento dos fios, passando-os de cone (cops, roca,...) para carretel ou rolo de urdume, o qual será utilizado na alimentação do tear.


8.2.2- Teares Kettenstuhl – máquinas utilizadas na fabricação de tecidos simples, listrados ou com alguns tipos de efeitos. Tem seu produto voltado para o setor de vestuário (camisetas, shorts, calções, sungas, maios, biquinis, lingerie...), cortinas e tecidos agro industriais (forros, sacaria, acabamentos de tênis e estofados,...). Podem ser divididos em:

Simples
Ketten
c/ Inserção de Trama

8.2.3- Teares Raschel – máquinas que tem maior diversificação nos artigos produzidos, pois podem trabalhar com tecidos lisos, listrados, com efeitos e com desenhos (jacquard). Tem seu produto voltado para a fabricação de rendas, lingerie, tules, saídas de banho, camisetas, forros de calções,..., no vestuário; forros, protetores de construção, mosquiteiros, sacaria, tecidos automotivos, tecidos para tênis,..., no setor agro industrial; e toalhas de mesa, colchas e cortinas, para a área de cama, mesa e banho.


Simples
Mutibarra
Raschel
Jacquard Mecânico


Jacquard Eletrônico

8.3.4- Componentes para formação de malhas (urdume) – na produção do tecido no processo urdume, temos alguns componentes que são os principais responsáveis pela formação das malhas:
a) agulhas – as máquinas do processo urdume podem apresentar agulhas de lingueta, agulhas de bico ou agulhas compostas, sendo as últimas as mais comuns nas máquinas atualmente fabricadas. São fixadas, individualmente ou em blocos de uma polegada, em uma barra que possui movimento excêntrico de subida e descida. Tal movimento permite que se proceda a alimentação em cima e o descarregamento em baixo.



b) platinas – chapas que trabalham entre as agulhas com movimento de avanço e recuo, permitindo que o tecido não suba junto com as agulhas, quando da sua subida, e, quando da descida destas, seja recolocado na parte superior para facilitar a passagem da última malha pela cabeça da agulha. As platinas são chumbadas em conjuntos de 1" e fixadas em uma barra denominada barra de platinas.

c) passetas – são guia-fios que tem por função manter os fios ordenados e conduzi-los até as agulhas, alimentando-as. São chumbadas em conjuntos de 1" e fixadas numa barra denominada barra de passetas. Esta barra possui movimento duplo: avanço e retrocesso, comandado por excêntricos, e movimento lateral, comandado pelo disco de desenho ou corrente de manjões.
d) prensa – encontramos este órgão somente em máquinas que utilizam agulhas de bico. É uma “faca” colocada longitudinalmente à máquina, com movimento de avanço e recuo, que faz com que atue simultaneamente sobre todas as agulhas no momento da descida destas, a fim de fechar-lhes o bico, de modo que a malha anterior passe por cima da cabeça da agulha.

e) manjões / disco de desenho – Os manjões são peças de alturas diferentes e numeradas que podem ser interligadas formando uma corrente. A diferença de altura entre dois manjões de números consecutivos representa o salto de uma agulha. Como para a formação da corrente iremos interligar manjões de alturas diferentes, estes apresentam 4 tipos de perfis, com o objetivo de suavizar ao máximo a passagem de um manjão para o outro: A, B ,C, D.
Já os discos de desenho, como o próprio nome diz, são discos que tem o seu perfil usinado em diferentes alturas, de acordo com o movimento planejado para a barra de passetas. Para ligamentos diferentes, teremos discos diferentes.

8.2.5 - Ciclo de formação de malha em máquinas que utilizam agulhas de bico – O tecimento, independente de processo, segue sempre o mesmo princípio, ou seja, a agulha sobe, recebe um novo fio, e desce para formação de malha. No instante em que as agulhas estiverem na posição de alimentação, é necessário que pelo menos um fio seja colocado sobre a cabeça de cada agulha. Para a formação de um tecido é necessário que no mínimo uma das barras de passetas faça movimento de deslocamento lateral a cada ciclo de formação de malha, como segue a descrição abaixo:
a b c
d e f
a) Com as barras de passetas na frente do tear, as agulhas iniciando sua subida, as platinas avançadas a fim de reter o tecido e a prensa afastada das agulhas;
b) As agulhas iniciam sua subida, as passetas realizam o movimento de avanço passando por entre as agulhas, e, em seguida, realizam seu movimento lateral;
c) As barras de passetas recuam, realizando o movimento de retrocesso;
d) As agulhas iniciam a descida, enquanto são fechadas pela barra de prensa que realiza seu movimento de avanço;
e) As agulhas continuam seu recuo, enquanto as laçadas anteriores iniciam sua passagem por cima das cabeças, à medida que as platinas se movimentam para trás;
f) As agulhas voltam a sua posição de repouso, formando novas malhas, enquanto as barras de platinas iniciam novamente seu avanço a fim de reter o tecido para iniciar um novo ciclo.

9 - DEFEITOS NO TECIDO DE MALHA

Defeito é uma característica produzida involuntariamente durante o processo de fabricação e/ou acabamento, originando uma falha que reduzirá a qualidade desejada do artigo em questão. Alguns tipos de defeitos no tecido, embora com as mesmas características, podem ter origens bem diferentes. Geralmente, para eliminá-los, é necessário fazer uma análise sobre a sua incidência e checar as prováveis causas, para depois fazer a correção necessária.

Durante o processo de tecimento, poderão ocorrer vários tipos de defeitos no tecido, os quais podem ter suas origens no próprio processo de tecimento (desde a estruturação do tecido até as regulagens e sincronizações e/ou falhas humanas) ou na matéria prima (desde a escolha e qualidade até a aplicação do produto final). Como conseqüência, podemos classificar em três tipos básicos de defeitos:

A) Barramento: aparecem no sentido horizontal de tecimento onde uma ou mais carreiras de malhas têm características diferentes em relação às demais, com uma certa regularidade na distância entre si. Os barramentos de máquina (processo) normalmente são constantes e com a mesma intensidade. Os barramentos de matéria prima podem variar ao longo das peças em uma mesma máquina. Particularmente os barramentos de coloração de algodão podem ser facilmente identificados em salas de luz negra. Além disso, sempre terão uma freqüência ou periodicidade equivalente ao número de carreiras por volta da máquina. Pode ser causado devido a problemas de Regulagem (Ponto, Alimentação, Tensão, puxamento,...) ou de Fio (Misturas de: Lote, Título, Fibras ou Cores)

B) Risco : aparecem no sentido vertical de tecimento, onde acontece a falta, a falha ou sombras de uma ou mais colunas de malha. É causado por defeito em agulhas ou nos componentes que trabalham junto às mesmas (Agulha ou Platina : Quebrada, Torta, Misturada, e/ou Canal : Amassado, Torto, Sujo.
C) Furos (buracos) : Normalmente quando a origem é mecânica, os buracos ocorrem de maneira regular e com continuidade. Já os derivados de matéria prima surgem de modo irregular. Muitas vezes, o surgimento de buracos pode se dar no acabamento, devido à presença de ferro nas fibras de algodão, caso não seja utilizado um produto adequado

10 - PRINCIPAIS NOMES COMERCIAIS

Meia malha:

Tecido leve, conhecido como jersey simples, formado por uma frente de tecimento, apresenta grade elasticidade quando combinado com elastano.

Piquet:

Tecido que apresenta direito e avesso, tendo o aspecto do lado direito a aparência de favos de abelha, muito utilizado em camisas polo.

Malha dupla:

Tecido mais pesado que a meia malha, devido a formação por duas frentes de tecimento, não possui direito nem avesso.

Punho ou canelado:

Confeccionado com malha dupla em alto e baixo relevo, com colunas bem definidas, utilizado no punha, gola, calça fusô, meias e blusas em geral.

Suedine:

Tecido confeccionado com fio texturizado, ligamento meia malha, utilizado em blusas leves, camisetas em geral.

Moleton:

Ligamento meia malha, com fios flutuantes em diferentes títulos, utilizando em agasalhos.

Charmeuse:

Meia malha em urdume utilizado para roupas íntimas e moda praia.

Renda:

Ligamento jacquard em urdume utilizado para moda íntima.

Cortina:

Ligamento jacquard em urdume utilizado para decoração.

2 comentários:

Anônimo disse...

Seu blog sempre tem informações úteis da área têxtil, visto que em portugues sempre há pouca publicação da área, mas acho que falta foto ou imagens das partes mais técnica para ficar mais entendível... Parabéns pelo blog

Anônimo disse...

Obrigado! Me ajudou muito!